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Sobre o milagre da primeira multiplicação dos pães

3, novembro, 2011

O milagre: com apenas cinco pães e dois peixes Nosso Senhor Jesus Cristo alimenta quase cinco mil pessoas

O milagre da primeira multiplicação dos pães, efetuado por Nosso Senhor Jesus Cristo, está narrado nos quatro Evangelhos: São Mateus (14, 13-24), São Marcos (6,30-46), São Lucas (9, 10-17) e São João (6, 1-15).

Em suma, o que aconteceu foi que Nosso Senhor havia chamado os Apóstolos, concedido-lhes poder contra os espíritos imundos, e enviado, dois a dois, para pregarem, com algumas advertências. Entre elas estava que não deviam levar pão e nem dinheiro; fossem calçados de sandálias e apenas com uma túnica. De onde não fossem bem recebidos, e de onde nem os quisessem ouvir, deveriam se retirar, sacudir o pó dos pés em testemunho contra as pessoas do lugar. Os Apóstolos partiram, recomendaram aos povos que fizessem penitência, expulsaram muitos demônios e curaram muitos enfermos.

Ao regressarem, narraram a Nosso Senhor tudo o que tinham feito e ensinado. E Ele lhes disse: “Vinde à parte, a um lugar solitário e descansai um pouco”. E, tomando-os consigo, afastaram-se, em uma barca, para um lugar deserto, do outro lado do mar da Galiléia. Porém, muitas pessoas os viram partir ou tiveram notícia da sua partida. Por isso uma multidão seguiu a pé, de vários lugares, e chegaram antes lá. Então Nosso Senhor retirou-se para um lugar alto e lá sentou-se com seus discípulos. Vendo, porém, que o buscava tão grande multidão, compadeceu-se deles, porque “eram como ovelhas sem pastor; e os recebeu, e lhes falou do reino de Deus, e curou os que necessitavam de saúde”.

Adiantando-se muito a hora, Nosso Senhor perguntou a um dos apóstolos: “Onde compraremos pão, para que toda esta gente possa comer”? A resposta foi a sugestão a de que despedisse a multidão para que indo pelas aldeias e lugares vizinhos, cada um comprasse o que comer. Mas Nosso Senhor lhes disse: “Não é necessário que eles se retirem: dai-lhes vós mesmos de comer”.

Observaram que havia lá um moço que tinha apenas cinco pães de cevada e dois peixes! – “Trazei-os aqui, disse Nosso Senhor, e fazei assentar o povo, por grupos, sobre a relva”. Tomou os cinco pães e os dois peixes, benzeu os pães, deu-os aos discípulos, e estes ao povo, que estava sentado. Distribuiu também dos peixes tanto quanto quiseram; todos comeram e ficaram saciados.

Depois Nosso Senhor ordenou que recolhessem os pedaços que sobraram, para que não se perdessem. Recolheram, enchendo doze cestos dos pedaços dos cinco pães de cevada e dos dois peixes, que tinham sobrado!

A reação diante de tão estupendo milagre foi, da parte dos Apóstolos, uma exclamação de reconhecimento unânime de que Ele era o Messias – “Este é verdadeiramente o profeta que há de vir ao mundo!” – e da parte da multidão foi a tentativa de arrebatá-lo para o fazerem rei.

Em face disso, Nosso Senhor, imediatamente, forçou os discípulos a embarcar, de volta, enquanto ele despedia o povo.

 O milagre da multiplicação dos pães: fonte de inúmeros ensinamentos para os fiéis católicos

O milagre da multiplicação dos pães é um dos mais característicos do Evangelho, nem há quem, em boa fé, se atreva a contestar a sua autenticidade. E ele tem sido fonte para os santos e predicadores da Igreja, ao longo dos séculos, de incontáveis ensinamentos. Por exemplo:

1) São Gregório: “Nosso Senhor mandou dois a dois os seus discípulos para pregar, porque são dois os preceitos da caridade: o amor de Deus e do próximo. E não pode existir esta (a caridade) senão com os dois amores. Deste modo Nosso Senhor nos mostra que quem não tem caridade para com os demais não deve, de nenhum modo, tomar a seu cargo a tarefa da pregação”.

2) São Beda, o venerável: “Indo de barco para um lugar deserto e deixando que os povos fossem a pé, Nosso Senhor Jesus Cristo pôs à prova a fé daquelas pessoas; e, indo para um lugar deserto, verificava se tinham mesmo intenção de segui-Lo. Seguindo à pé e conseqüentemente com fadiga, mostravam quanta solicitude punham em cuidar de sua salvação”.

3) São Teófilo: “Assim também deve acontecer conosco: não devemos esperar que Nosso Senhor nos chame; devemos anteciparmo-nos para chegar a Ele”.

4) São Beda: “Nosso Senhor disse aos Apóstolos: “Dai-lhes vós mesmos de comer” a fim de que, vendo eles que não tinham quase nada, ficasse mais notável a grandeza do milagre”.

5) São Beda: “Mandou aos Apóstolos que eles distribuíssem os pães para lhes ensinar (ou seja, também aos seus sucessores, os Bispos e os sacerdotes) que eles hão de alimentar diariamente nossos corações, que estão em jejuns, com seus ensinamentos e exemplos.”

6) São Beda: “Os cinco pães são figura dos cinco livros da lei mosaica (escrita por Moisés), e os dois peixes figuram os Salmos e os profetas. Os dois peixes também são os escritos dos pescadores (Apóstolos), ou seja, o Evangelho e as Epístolas.”

7) São Beda: “Tal como são em número de cinco os sentidos exteriores do homem (visão, audição, paladar, olfato e tato), as cinco mil pessoas que seguiram a Nosso Senhor figuram aqueles (e aquelas) que, todavia tendo vivido no mundo, souberam usar bem das coisas exteriores (os bens materiais)”

8) Glosa: “Com o milagre da multiplicação dos pães, mostra o Senhor que é Ele o autor de todas as coisas; andando sobre as águas, nos faz ver que seu corpo estava livre do peso de todo pecado; e, acalmando os ventos e sossegando a fúria das ondas, nos faz ver que domina sobre os elementos da natureza”.

9) O povo dividido em grupos é uma imagem da Igreja, onde os fiéis, divididos em dioceses e paróquias, devem receber, dos seus respectivos pastores, os ensinamentos sagrados, e, sobretudo, a Santa Eucaristia. Da mesma forma, a distribuição dos pães, no deserto, como a do pão eucarístico, na Igreja, se faz por intervenção dos discípulos, isto é, dos padres.

 Fonte: Baseado em http://vocacionadosdedeusemaria.blogspot.com/

 

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