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Textos com Etiquetas ‘Dor’

Por que existe o sofrimento?

19, abril, 2017 Sem comentários
Sofrimento maior não houve.

Sofrimento maior não houve.

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Do ponto de vista natural, pode-se dizer que o sofrimento decorre da própria natureza do homem.


Todo ser dotado de sensibilidade está sujeito à dor, assim como à alegria.

Quando os objetos ou as pessoas estão em harmonia com sua sensibilidade, ela experimenta prazer; quando, ao contrário, ferem essa sensibilidade, ele sofre.

É possível, portanto, sofrer sem culpa própria.

Mas a fé nos ensina que o sofrimento entrou no mundo por causa do pecado.

Por um ato de bondade infinita e essencialmente gratuita, Deus havia preservado o homem da dor.

Criado em lugar de delícias, ele devia, se fosse fiel a Deus, passar deste Paraíso terrestre diretamente para o Céu;

Para nele gozar por toda a eternidade, de uma felicidade sem sombras.

O pecado de Adão, transmitido a seus descendentes, veio transtornar este belo plano.

Com o pecado, a dor e a morte entraram no mundo, não somente como uma consequência natural da sensibilidade, mas também como um castigo pelo pecado.

Era justo: pois, tendo o homem pecado por um amor desordenado ao prazer, para satisfazer o seu orgulho e a sua sensualidade;

Era bom que ele sofresse para expiar a sua falta, e para sentir-se mais inclinado a evitar toda a transgressão;

Vendo que há uma justiça imanente e que o culpado é punido por seu pecado.


Assim, o sofrimento que parece ser um mal, torna-se um bem na ordem moral, uma reparação e um preventivo contra novas transgressões.


Essa ideia se torna mais clara com o grande mérito da Redenção.

Para reparar a ofensa infinita cometida contra Deus por nossos primeiros pais e por sua posteridade;

O Filho de Deus consente em fazer-se homem, e tornar-se o representante da Humanidade culpada;

Em assumir sobre si o peso de nossas iniquidades, em expiá-las por trinta e três anos de sofrimentos e, sobretudo, pela imolação no Calvário.


Assim, o sofrimento é reabilitado, enobrecido e divinizado.

Já não é mais somente um castigo mas um ato de obediência aceito voluntária e generosamente por amor;

Um ato que, na pessoa de Jesus Cristo, tem um valor infinito.


Por ele, Jesus glorifica a Deus muito mais do que o pecado que O havia ofendido;

E coloca o homem, sob vários pontos de vista, a um estado superior ao de Adão inocente.

Esse ato tem para nós, portanto, as mais felizes consequências.

Associando nossos sofrimentos aos seus, Nosso Senhor lhe confere um valor incomensurável.

Eles se tornam, não mais um castigo, mas uma reparação:

Nós havíamos pecado por desobediência e por egoísmo;

Ao sofrer com Jesus e por suas intenções, reparamos nossa falha por um ato de obediência e de amor.


Mas, além disso, utilizamos o sofrimento para progredir na santidade:

Cada dor pacientemente suportada por amor a Jesus aproxima-nos de Deus e aumenta nosso amor por Ele.


E aumenta, ao mesmo tempo, a glória que nos caberá no Céu:

Como afirma São Paulo: “nossas tribulações são breves e fáceis de suportar, em comparação com a glória imensa e eterna que receberemos em recompensa!”

Por isso o apóstolo se alegra em suas enfermidades e se gloria em suas tribulações;

Feliz por uni-las às do Cristo Jesus e completar assim Sua Paixão, para o maior bem da Igreja e das almas.


Milhões de santos, caminhando nas pegadas do Mestre, sofreram e sofrem com alegria;


Dentre eles, muitos se ofereceram como vítimas, seja à Justiça divina para expiar suas faltas e as dos outros;

Seja ao Amor, para serem consumidos pela Divina Caridade, para viver e morrer como mártires e assim ter uma parte maior na eterna visão e no eterno amor.

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Fonte: “A Divinização do Sofrimento” – Pe. Adolphe Tanquerey.

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A “Loucura” da Cruz (Parte III)

13, abril, 2015 1 comentário

Continuação do post: A “Loucura” da Cruz (Parte II)

Vede: a Cruz,

Que aos olhos do século parece não ser mais que um símbolo de tristeza, é, entretanto, a obra prima da alegria; e, portanto, a maior das felicidades humanas é essa loucura de que nos fala São Paulo.

O século sempre entendeu esta loucura erradamente, servindo-se dela para zombar da fé, caluniar o cristão e apresentá-lo como o refugo da natureza humana, cuja ciência consiste em bestializar a inteligência, obliterar o sentimento e atrofiar o coração.

Nunca foi esta a doutrina da Igreja, que, bem longe de assim entendê-lo, quando, no século 17, homens saídos de seu seio, mal interpretando as palavras do Apóstolo, fizeram uma guerra encarniçada à ordem natural, à razão humana, ao desenvolvimento da inteligência e às necessidades legítimas do coração, condenou essa doutrina –o Jansenismo – e reprovou a
sua moral.

A loucura da Cruz, como a entende a Igreja, não é, pois, a mutilação do homem; não é a renúncia de seus sentimentos, nem do que eleva o seu espírito, dilata o seu coração e alegra a sua vida.

A doutrina da Igreja, é que a Graça não destrói a natureza: purifica-a, aperfeiçoa-a

Santo Agostinho dizia que a Encarnação não é senão um vasto sistema higiênico e curativo para a natureza humana; e, se bem compreenderdes este pensamento do egrégio doutor da Igreja, vós tereis a justa ideia do que seja a loucura da Cruz.

Nas práticas da vida cristã, nas humilhações do homem que quer purificar-se, há uma espécie de loucura; mas loucura somente para os instintos depravados da natureza corrompida.

Como em todo remédio há uma parte por assim dizer ignóbil, vil, desprezível, repugnante à natureza; há também isso no aparelho curativo da Igreja.

O homem é também doente do espírito e do coração; e os remédios de que precisa esta sua enfermidade são como os do corpo, duros, amargos, repugnantes à vaidade e ao orgulho.

É uma loucura humilhar-se, abater-se pedir perdão das ofensas, amar os inimigos?!

Pois é a loucura da Cruz!

É uma loucura ser casto, renunciar aos gozos animais, rivalizar com os anjos?! Pois é a loucura da Cruz! É uma loucura repudiar a avareza a ambição da glória, o furor do bem-estar?! Pois é a loucura da Cruz!

Reparai, porém: esta loucura é um verdadeiro remédio, porque nos despoja do velho homem, restaura as partes nobres da nossa natureza, que só se purifica e regenera pela crucificação, isto é, pelo aniquilamento de suas partes más.

E não foi essa loucura que regenerou o mundo, quando, num momento solene da história, para libertá-lo da gangrena romana, foi preciso lavá-lo no sangue das virgens, dos confessores, dos mártires?! E, hoje, que falta ao nosso século?

É justamente a loucura da Cruz!

Porque o homem moderno é tão vaidoso, tão cheio de ambições, tão sensual, tão rebelde? Porque não ama a Cruz de Jesus Cristo e zomba do cristão que procura reproduzi-la em si? Porque na política a impostura, a mentira, a perfídia?

Na ciência – o orgulho, na literatura – a luxúria, nas artes – a prostituição do belo, o repúdio de todas as formas nobres da imaginação? Porque o estadista, o sábio, o filósofo, o poeta e o artista não conseguem fazer feliz a humanidade moderna?

Percorrei o mundo inteiro, batei a todas as portas; perguntai aos homens, nos palácios ou nas choupanas, se eles são felizes; e um gemido doloroso saído de todos os corações vos responderá: não, não somos felizes.

Mas porque o homem moderno, no meio de tantos esplendores da civilização material, é verdadeiramente desgraçado? Porque ele não ama a Cruz de
Jesus Cristo.

Vós, homem moderno, podeis pretender todas as glórias: a de terdes surpreendido, com um pedaço e vidro, o infinitamente pequeno nas profundezas da terra, o infinitamente grande nas profundezas do céu;

A de terdes dado aos vossos olhos o prodigioso óptico poder de verem no solo o arbusto crescer, a verem no espaço o astro girar; a de terdes reunido nas vossas exposições universais as riquezas espalhadas pelo globo;

A de terdes consorciado nos vossos museus as faunas e as floras do mundo inteiro; a de terdes pelejado com os seus ventos e tempestades, medido mesmo a profundeza dos seus oceanos. Há uma glória, porém, que vós não podeis reclamar:

A de terdes medido a inanidade dos vossos prazeres, domado os ímpetos do vosso orgulho, medido a profundeza incomensurável da vaidade universal, que não deixa ver na Cruz de Jesus Cristo a salvação do mundo, e na loucura da Cruz – a sabedoria verdadeira!

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Fonte: retirado do livro “A Paixão” do Rev. Pe. Júlio Maria de Lombaerde.

A “Loucura” da Cruz (Parte II)

11, abril, 2015 3 comentários

Continuação do post: A “Loucura” da Cruz (Parte I)

Onde, porém, perguntareis, colocar a alegria numa vida como a de Jesus Cristo?

Onde ver a alegria naquela Cruz?! Pois a Paixão do Homem-Deus não foi o sumo da dor, e por conseqüência exclusão de toda alegria?!

Sim; a Paixão de Jesus Cristo foi uma dor real, completa e tão vasta que abrangeu toda a Sua vida, desde o primeiro vagido do Presépio até ao derradeiro gemido do Calvário.

É só aparentemente que se distinguem o berço do menino Deus e a Cruz do Varão de dores; na realidade se confundem a manjedoura de Belém e o monte Calvário.

Para o menino, pela ciência completa de Sua alma e o pleno uso de Sua razão, a previsão de Seus opróbrios e ignomínias, de Seus sofrimentos e de Sua morte era já uma paixão substancial.

Se as dores físicas da Paixão não Lhe torturavam já os músculos,os nervos e a carne pela vivacidade da Sua previsão dava-Lhe um horror e tremor correspondentes.

Aliás, os sofrimentos da santa infância, agravados pela fraqueza física e a impossibilidade voluntária de fazê-las conhecer, foram em Jesus Cristo dores físicas perfeitas. Quanto às dores morais, a santa infância é em toda a realidade o começo da Paixão: o presépio é o Calvário que começa.

Exterior e interiormente, Nosso Senhor sofreu desde o primeiro instante de Sua vida terrestre. Derramou lágrimas, sentiu frio, fadigas, terrores, o desprezo e a perseguição dos homens, e todos os tristes resultados da pobreza e do silêncio a que voluntariamente se condenou.

Nasceu fora dos muros de uma cidade, súdito de um imperador romano; ainda menino, teve necessidade do exílio para escapar ao furor de um déspota; os elementos, que Ele próprio tinha criado, o sol, o vento, a chuva, molestaram o Seu corpo infantil;

A Sua infância reuniu todas as condições da pobreza, e o pleno uso de Sua razão, a plena ciência de Sua alma, sem dúvida Lhe tornaram penitências cruéis todas as fraquezas que em nós são o resultado do pecado, mas nEle eram os mistérios da Encarnação.

A vista interior que Ele tinha dos pecados de todos os homens; de suas perfídias e ingratidões; das vicissitudes de Sua Igreja;

Dos combates improfícuos do Amor Divino pela salvação de tantas almas que recusaram, que recusam e que hão de recusar tantos testemunhos da Sua misericórdia, aumentavam sem dúvida, esses sofrimentos exteriores da santa infância.

Onde, portanto, ver a alegria numa existência tão atribulada e na qual ainda mesmo os sofrimentos futuros não eram simples profecias, eram já uma paixão substancial?!

Pois a alegria está ali, a maior das alegrias que tenha feito na terra palpitar um coração.

A todos os instantes, desde o Presépio ao Calvário, durante mesmo o abandono na Cruz, e não obstante todos os sofrimentos da Paixão, Jesus Cristo era bem-aventurado, era perfeitamente feliz, Sua alma palpitava de alegria.

Parece-nos impossível no coração de Jesus Cristo a harmonia de uma tão grande alegria com uma tão grande dor; mas isso somente porque não compreendemos as operações das duas naturezas – divina e humana- numa só pessoa, nem compreendemos a dupla vida de viajor e compreensor que a alma de Jesus levava na terra.

Mas a razão esclarecida pela teologia nos diz que a alegria em Jesus Cristo não foi menos real que a dor. 

Como, porém, poderemos compreender a vida de Jesus Cristo sem a alegria? Ele era na terra o próprio Verbo revestido da nossa natureza; era o próprio Deus, e não podemos compreendê-lO senão como uma imensa alegria.

Deus é a bem-aventurança,

A perfeição, a felicidade, a alegria; e o Verbo de Deus não é senão a infinita alegria do Pai substancial e perfeitamente reproduzida no Filho, unidos ambos por um amor substancial, que não é também senão um coninfinito de alegria. 

Mas, se Deus é alegria, tudo que procede de Deus não pode ser senão a alegria. A criação foi a primeira efusão da alegria; a redenção a segunda, porque a redenção não se fez senão para que o mundo reassumisse o seu
destino primitivo.

Sendo o Verbo o próprio Deus e sendo Deus uma infinita alegria, esta alegria que se comunica a todas as Suas obras comunica-se também à Sua humanidade santa. Que inefáveis alegrias as do Verbo encarnado!

Alegria da perfeição da Sua humanidade; do pleno uso da Sua razão; da perfeita ciência da Sua alma; da Sua soberania e realeza sobre a criação; da completa visão que Ele tem de Deus; da perfeita adoração que Lhe presta;

Do Seu amor pela Mãe Imaculada que Ele próprio criou; pelos homens Seus irmãos, que veio resgatar; pela Igreja, Sua noiva, que veio esposar; pela própria Cruz, que, desde o primeiro instante da Sua vida terrestre, plantava com gozo inefável no centro do Seu coração, como o símbolo da Sua vitória e o emblema da redenção!

O Criador no seio da Sua criação! Um homem perfeito compreendendo todas as leis do mundo físico, todos os mistérios do mundo moral!

Uma alma humana tendo a visão de todos os enigmas do universo; de todas as vicissitudes da humanidade! Nada Lhe sendo desconhecido no passado, no presente, no futuro! 

Ele vê todos os séculos futuros; vê o combate improfícuo de todas as civilizações contra a Sua Cruz; vê o desenvolvimento sucessivo e completo da Sua obra, as Suas vicissitudes, os
seus triunfos;

Vê em toda a série de idades os Seus milhões de adoradores; os milhões de súditos de Sua Mãe; vê a vitória decisiva e final da Sua Igreja; vê, enfim, glorificada a nova humanidade, de que Ele foi o Salvador!

Que alegrias inefáveis! Que júbilo infinito!

Por isso é feliz nas Suas próprias dores; por isso Ele encontra a alegria na própria presciência de Sua Paixão; por isso, ávido, como Ele próprio o dizia, pelo batismo de sangue, na Agonia do Jardim, antecipa o Seu sacrifício e na Cruz do Calvário sacia a sede do Seu amor!

(Continua…)

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Fonte: retirado do livro “A Paixão” do Rev. Pe. Júlio Maria de Lombaerde.

A “Loucura” da Cruz (Parte I)

10, abril, 2015 Sem comentários

Verdadeiramente, nós somos loucos, mas loucos de amor por Jesus Cristo.

A obra prima da alegria é a Cruz de Jesus Cristo. Esta cruz, que aos olhos do século parece não ser mais que o símbolo da tristeza, do sofrimento e da dor, é, na realidade, o requinte da ventura;

E essa loucura de que fala o apóstolo São Paulo, a do cristão que procura assemelhar-se a Jesus Cristo e por Seu amor se torna como que louco, essa loucura é verdadeiramente o supremo arroubo da felicidade.

Sei, o século não entende assim: um Deus flagelado, ferido, ensangüentado, crucificado, morto, parece-lhe um símbolo absurdo.

O homem que o cobre de beijos e lágrimas, que pelo repúdio de sua vaidade e de seu orgulho, pela renúncia de suas paixões, que procura reproduzir em si a Cruz de Jesus Cristo, parece-lhe o cúmulo da loucura.

Que importa, porém, os pensamentos do século?! Se na terra já houve uma alegria completa e inefável, a do Amor Crucificado; se as criaturas humanas já foi dado algum antegosto da felicidade, que ardentemente desejam, elas o acharam no contato com Jesus Cristo.

O mundo físico tem muitas alegrias: a vida, a saúde, a força, o espetáculo das cenas variadas da natureza, o aspecto das montanhas, a extensão dos mares, a beleza das planícies, os brilhos do sol, os próprios ruídos da tempestade são fontes de prazer para o homem.

O mundo intelectual tem muitas alegrias: o simples exercício das faculdades do espírito, a rapidez, o fluxo e o refluxo dos pensamentos, os encantos da poesia, as harmonias da música, os atrativos da forma e da cor, a pintura, a escultura, a arquitetura são para o espírito e o coração do homem fontes de emoções deliciosas.

O mundo moral tem muitas alegrias: o amor da família, da pátria, da humanidade; as tranqüilas afeições do lar; os afetos ardentes da juventude; as profundas meditações da idade madura; uma grande esperança que se alimenta; uma grande vitória que se conquista – tudo isso é para o homem perene, inesgotável manancial de alegria.

Pois bem; resumi numa só as variadas alegrias do mundo físico, as alegrias variadíssimas do mundo intelectual e moral; resumi num só todos os gozos puríssimos da inteligência, todos os prazeres mais delicados da imaginação,

…vós não tereis senão uma pálida sombra desta infinita alegria que se chama – a Cruz.

Strauss escreveu:

– “A Cruz com um Deus morto pelos pecados dos homens é para os crentes não somente o penhor visível da redenção, mas também a apoteose do sofrimento.

É a humanidade na sua forma mais triste, com todos os seus membros dilacerados e quebrados; a perfeição do cristão e a maldição do mundo.

A humanidade moderna, satisfeita de viver e operar, não pode mais achar em tal símbolo a expressão de sua consciência religiosa; e conservá-lo na Igreja é acrescentar mais uma razão às muitas que já o tornam incapaz de existir. A Cruz é um anacronismo, um sinal de decadência e caducidade”.

Que ignorância!

A Cruz, o poema predileto da humanidade, é o símbolo que se encontra ainda nos lares, em milhares de corações e em todos os túmulos; a Cruz é o alívio do desventurado, a esperança do moribundo.

Na alegria ela enternece; na tristeza ela consola; até mesmo no cemitério, nas sombras da morte, a Cruz é um penhor de vida!

Mas a humanidade ama ardentemente o gozo e o prazer; de fato, ela não procura senão a felicidade.

A Cruz, portanto, é só aparentemente a apoteose dos sofrimentos; e a maior dasfelicidades humanas é a dos corações crucificados.

A Cruz é a obra prima da alegria, porque ela é obra de Deus, e Deus é alegria infinita; e compreende mal a criação, mesmo depois da queda primitiva, quem supõe que a dor representa nas obras de Deus mais que um papel secundário.

No mundo físico não é a dor que prepondera: ninguém pode descrever o número, a grandeza e magnificência de suas alegrias, que envolvem o globo inteiro.

No mundo moral, sem dúvida, existe a dor; mas ela procede da prevaricação do homem, e não de Deus, cuja bondade aponderou-se dela, transfigurou-a, e de tal sorte transformou-a, que a dor tornou-se para o homem, na condição em que ficou colocada depois da queda, uma condição da alegria.

É uma alegria a dor que o homem sente vendo o que há de irregular no mundo físico, de trágico e triste no mundo moral.

É uma alegria a dor do arrependimento, a contrição dos pecados, a resignação na desgraça, a paciência no infortúnio, a conformidade com a vontade de Deus em todos os estados e condições da vida.

É pela dor que a criação reassume a sua alegria; e por isso a dor entra em tudo que há de dramático e patético na vida humana; e por isso glorificar a dor é uma das mais altas funções da música, da pintura e da escultura;

E por isso para a humanidade nada tem interesse real se não tem alguma relação com a dor; e por isso a dor é verdadeiramente para a vida de cada homem uma condição necessária de sua alegria.

(Continua…)

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Fonte: retirado do livro “A Paixão” do Rev. Pe. Júlio Maria de Lombaerde.

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A Universalidade e a Intensidade da dor de Nosso Senhor – veja como Ele nos AMA:

22, fevereiro, 2015 3 comentários

O Flagelo de Cristo - William A. Bouguereau

Ao falar da Paixão, São Tomás mostra que a dor nela suportada por Jesus foi Universal, não por ter Ele suportado todos os sofrimentos possíveis,

Mas por ter suportado todos os tipos de sofrimento que vivenciamos nesta vida.

Se considerarmos as pessoas que o fizeram sofrer, não há um só grupo que não tenha contribuído para a Sua Paixão: judeus e gentios, príncipes dos sacerdotes e simples israelitas, todos se encarniçaram contra Ele; entre seus apóstolos, Judas o trai, Pedro o nega, e todos com exceção de João, o abandonam.

Se considerarmos os bens de que foi privado, Ele sofreu em sua reputação e sua honra pelas calúnias, as injúrias, as blasfêmias, os escárnios de que foi vítima; sofreu em suas afeições por ver-se abandonado por Seus amigos mais queridos;

Em Sua alma, triste e angustiada até a morte; em Seu corpo, despojado de suas vestes, flagelado, coroado de espinhos, crucificado…

A intensidade do sofrimento de Nosso Senhor

De acordo com o testemunho de São Tomás, esses sofrimentos foram os maiores que se poderia suportar neste mundo.

Dotado de uma sensibilidade aguçada, Ele sentia mais intensamente que os outros homens todas as torturas físicas e morais que lhe foram infligidas.

Além disso, como as suas dores íntimas vinham de todos os pecados de todo o gênero humano, que Ele carregou sobre si diante de Seu Pai, não poderemos jamais compreender a
sua intensidade;

Para tanto, seria preciso ter consciência, não somente do número de da gravidade desses pecados, mas também e sobretudo da grandeza de Seu amor por Deus ultrajado por tantos crimes, e da grandeza de Seu amor pelos homens.

Essa intensidade foi agravada por não ter sido suavizada, em certos momentos, por nenhuma consideração da razão superior, nem por uma distração: desejando beber até o fim o cálice da amargura, Jesus não permitiu que a sua razão temperasse sua tristeza mortal por nenhum pensamento consolador ou digressivo.

Foi a dor pura, sem mistura. Ele quis até mesmo vivenciar aquele sentimento de abandono e de completo desamparo que o fez dizer na Cruz: “Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonastes?”.

Digo a certos momentos, porque aprouve à bondade divina proporcionar-lhe algumas consolações, enviando-lhe, ao longo da Via Dolorosa e no Calvário, algumas almas compassivas que suavizaram um pouco a angústia de Sua alma.

E podemos dizer também que Ele tinha presente que, ao longo, dos tempos, milhões de almas iriam compadecer-se de seus sofrimentos, e essa visão antecipada consolava o Seu coração.

Mas Ele previa também a ingratidão, a indiferença, o ódio de milhões de outras pessoas que continuariam a insultá-lo, a blasfemar, a tornar inútil para muitos o fruto de sua redenção. E essa previsão agravava ainda mais as angústias de Sua Paixão.

Acrescentemos ainda que não foi somente no final de sua vida que Ele precisou suportar todas essas dores; desde Sua entrada no mundo Ele as viu delinear-se claramente diante de si, e na realidade a sua vida inteira foi um longo Martírio…

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Fonte: “A Divinização do Sofrimento” do Rev. Pe. Adolphe Tanquerey

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