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Textos com Etiquetas ‘medalha de São Bento’

A tristeza pode ser boa ou má

24, maio, 2014 10 comentários
A tristeza que vem de Deus, diz São Paulo, opera a penitência para a salvação; e a tristeza que vem do mundo opera a morte. A tristeza pode pois ser boa ou má, segundo os efeitos que em nós produz.
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É verdade que há mais efeitos maus do que bons; porque só há dois bons:
1) misericórdia
2) penitência
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E seis maus:
1)angústia
2)preguiça
3) indignação
4) inveja
5) impaciência
6) ciúme.
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É por isso que diz o sábio: “A tristeza mata muita gente, e nada com ela ganhamos”; porque há dois bons regatos que dele provém, há seis maus.
O inimigo serve-se da tristeza para exercitar a perseverança dos bons; porque, assim como procura alegrar os maus no pecado, procura entristecer os bons nas boas obras; e assim como não pode atrair para o mal senão tornando-o agradável, também não pode afastar do bem, senão tornando-o aborrecido.
O demônio só pede tristeza e melancolia; porque assim como ele está para toda a eternidade triste e melancólico, assim desejaria que todos o estivessem também.
A tristeza má perturba a alma e inquieta-a, incute-lhe temores desregrados, afasta-a da oração; atormenta o cérebro, e priva a alma do conselho, resolução, juízo e coragem, absorvendo-lhe completamente as forças. Em breve tempo estará como um rigoroso inverno, que apaga toda a beleza da terra e atormenta todos os animais; porque priva a alma de toda a consolação e torna impotentes as suas faculdades.
O rei Davi não se queixa só da tristeza, quando diz: “Porque estas triste, minha alma?”, mas somente do custo e da vacilação dizendo: “Porque te perturbas?”
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A tristeza boa deixa uma grande paz e tranquilidade no espírito. É por isso que Nosso Senhor, dizendo aos seus apóstolos: “Vós estareis tristes”, acrescenta: “não se perturbe o vosso coração; nada temais”. Eis que a minha grande amargura esta em paz, diz Isaías.
A tristeza má vem como saraiva, com uma mudança inopinada e grandes terrores e impetuosidade, e de repente, sem que se possa dizer donde vem, porque não se deixa adivinhar. Entretanto que a tristeza boa chega docemente à alma, como uma chuva fina, que tempera os ardores das consolações, e com algumas razões precedentes.
A tristeza má perde o coração e atormenta-o tornando-o inútil, fazendo-lhe perder o cuidado das boas obras, como diz o salmista, e como Agar, que deixou o filho debaixo da árvore para chorar.
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A tristeza boa dá força e coragem, e não deixa nem abandona um bom desígnio; esta foi a tristeza de Nosso Senhor, que embora fosse a maior que existiu, não lhe impediu a oração nem o cuidado dos seus apóstolos.
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E Nossa Senhora, tendo perdido seu filho, ficou muito triste; mas nem por isso deixou de o procurar com diligência, como também fez Madalena, sem se demorar a lamentar-se e chorar inutilmente.
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A tristeza pecaminosa obscurece o entendimento, priva as almas de conselho, de resolução e discernimento, como sucede aqueles de quem diz o Salmista que “os perturbaram e abalaram como um ébrio, e ficaram privados de sabedoria”(Salmo CVI, 27). Procuram-se remédios aqui e além, confusamente sem tino e às apalpadelas.
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A tristeza santa abre o espírito, torna-o claro e luminoso, e como diz o Salmista, dá inteligência.
A pecaminosa impede a oração e a contemplação, e faz desconfiar da benignidade divina; pelo contrário a santa fortalece-nos na bondade de Deus, e impele-nos a invocar a sua misericórdia.
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“As tribulações e angústias perturbaram-me; mas os vossos mandamentos foram a minha meditação”.
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Em suma, os que estão possuídos da tristeza pecaminosa mergulham-se em uma infinidade de horrores, erros e temores inúteis, receando ser abandonados por Deus de incorrerem na sua desgraça e de se lhe não apresentaram para lhe pedir perdão.
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Tudo lhe parece contrário à sua salvação; são como Caim, que pensava que todos os que encontrava o queriam matar. Julgam que Deus será injusto e severo só com eles por toda a eternidade; pensam que os outros são muito mais felizes do que eles. É da soberba que provém tal crença a qual lhes persuade que deveriam ser muito melhores do que os outros e mais perfeitos do que ninguém.
A tristeza santa, porém discorre assim: ”Sou uma criatura miserável, vil, e abjeta: logo Deus usará de misericórdia para comigo; porque a virtude acrisola-se na doença, e não se aflige por ser pobre, miserável.”

Ora o fundamento da oposição que se oferece entre a boa e má tristeza, é que o Espírito Santo é o autor da tristeza santa e por ser o único consolador, as suas operações trazem consigo luz e claridade. Por consequência, essas operações são inseparáveis do verdadeiro bem; porque os frutos do Espírito Santo, diz São Paulo, são: caridade, gozo, paz, paciência, benignidade, longaminidade.
Pelo contrário, o espírito maligno, autor da má tristeza, (porque não aludo à tristeza natural que tem mais necessidade de medicina do que de teologia) é um verdadeiro estrago, tenebroso e aniquilador, e os seus frutos só podem ser: ódio, tristeza, inquietação, pesar, malignidade e desalento. Ora todos os sinais da tristeza má são os mesmos que os do mau temor.

Pensamentos Consoladores de São Francisco de Sales via saopiov.org

 

Surdos, mudos e cegos

5, abril, 2014 4 comentários

Ao vir a este mundo, Jesus Cristo se revestiu do divino poder de ensinar, operar milagres e expulsar demônios. Agora na Quaresma a Igreja propõe para reflexão dos fiéis o Evangelho em que o Filho de Deus expulsa o demônio de um homem cego e surdo-mudo, operando três milagres de uma só vez: o de fazê-lo ver, ouvir e falar.

O Evangelho traz ensinamentos para todos os tempos. Que lição podemos tirar hoje desse prodígio? O mundo contemporâneo se nega a ouvir, falar e ver, pois grassa nele uma surdez e mudez generalizada à palavra de Deus, cujos ensinamentos não são ouvidos nem pregados.

Enquanto o vício e o erro se desfecham na devassidão dos costumes, desviando as pessoas do ensinamento perene da Igreja, Ela mostra que Cristo é o caminho, a verdade e a vida.

Ao realizar o tríplice milagre, nosso Salvador concorreu para que através dos séculos muitos cressem nos seus divinos preceitos e os aceitassem.

Enquanto a multidão rendia glória a Deus por milagre tão sublime, escribas e fariseus se empenhavam em não reconhecê-lo, atribuindo o prodígio a Belzebu. A contradição — um demônio contrapondo outro — foi aproveitada por Nosso Senhor em sua réplica:

“Todo reino dividido perecerá”.

Em que pese a crise instalada na Igreja, o seu reino e a sua fé inabalável e indivisível subsistirão sempre nesta Terra de exílio, onde haverá uma luta perpétua entre o bem e o mal, entre a verdade e o erro, entre luz e as trevas, luta que durará até a consumação dos séculos, pois que foi prescrita pelo próprio Deus.

Nosso Senhor revidou os inimigos ao afirmar que não era pelo poder do demônio que Ele expulsava demônios, mas pelo dedo de Deus. Ele se referiu ao Espírito Santo, pois Jesus lia e perscrutava os pensamentos daqueles fariseus e respondia as objeções que estavam no segredo de seus corações.
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Caso Nosso Senhor tivesse recorrido às Escrituras, eles não teriam prestado atenção. De onde a comparação entre cidades e reinos, pois é grande a união dos súditos em torno de reinos e casas.

No mundo atual se propaga uma crise avassaladora, crise de fé com suas múltiplas consequências: crise da família, da sociedade, da propriedade, das instituições, dos valores, dos costumes, e até dos hábitos. Como um grande incêndio, tal crise invade todos os segmentos do corpo social, chegando mesmo a ser generalizada e constante, rumo ao caos. E isso só pode ser obra do demônio e de seus satélites.

Ao expulsar o demônio daquele homem, Jesus quis nos ensinar acerca do poder conferido à Sua Igreja, o de anunciar o Evangelho. Ele não apenas expulsou aquele demônio, mas conquistou méritos infinitos para a Igreja com a Sua paixão e morte.

Segundo a narração do Evangelho, depois de expulso o demônio andou por lugares secos e áridos; e não podendo voltar para aquele homem, pois sua alma estava ornada e limpa, tomou então sete espíritos piores para a ele retornar, tornando-o pior do que antes. Assim acontecerá com esta geração perversa e má.

Hoje presenciamos a apostasia do mundo ocidental. O que aconteceu com o povo judeu ao rejeitar o Salvador repete-se hoje com o abandono da Igreja verdadeira por parte não apenas dos fiéis, mas de muitos de seus pastores.

Assistimos a uma verdadeira paixão da Igreja, a qual já teria perecido se não fosse imortal. Assim como Jesus foi condenado à morte, morrem hábitos, costumes e modos de ser que marcaram o mundo outrora cristão e civilizado. Mas a Igreja não morrerá, pois temos a promessa de que as portas do inferno não prevalecerão.

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O autor é sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ).

Fonte: ABIM

O demônio não é uma superstição

26, agosto, 2013 7 comentários

Qual a importância de se falar sobre o diabo e o inferno hoje?

Referência constante em seus discursos, o diabo é um inimigo contra o qual o Papa Francisco insiste em convocar os cristãos a lutar. Na homilia de sua primeira Missa como Pontífice, ele disse que, “quando não se confessa Jesus Cristo, confessa-se o mundanismo do diabo, o mundanismo do demônio”.
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Em uma de suas reflexões matutinas, no mês de maio, Francisco falou do “ódio do príncipe deste mundo àqueles que foram salvos e redimidos por Jesus”.
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A espontaneidade com que o Pontífice fala de Satanás lembra Jesus Cristo. Desagradando aos “politicamente corretos” e adeptos de uma teologia pouco preocupada com a transcendência, o Santo Padre imita ninguém menos que nosso Senhor: de fato, só nos Evangelhos sinóticos, são mais de 40 referências ao anjo caído; inúmeras delas, relatos de autênticos exorcismos, comprovando que o demônio, longe de ser uma mera produção fantasiosa, é uma realidade viva e atuante no mundo.
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Hoje, no entanto, pregadores que falem com veemência do diabo e do inferno são acusados de instalarem o medo e angústia entre os fiéis, como se a prédica da Igreja devesse refletir a preocupação apenas com as coisas deste mundo, e não com as realidades eternas.
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Mais do que isso: várias destas realidades eternas chegam mesmo a ser negadas, inclusive por aqueles que nelas e por elas deveriam crer e guiar suas vidas.
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O demônio, por exemplo, é tratado por muitos como uma mera “força negativa” ou simplesmente como uma metáfora para designar o mal físico. O inferno não passaria de um recurso retórico para ajudar as pessoas na luta contra as mazelas deste mundo.
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Reduz-se, assim, a categorias materiais aquilo que, de acordo com a doutrina perene e constante da Igreja, é uma autêntica realidade espiritual.
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Com efeito, o Catecismo, recordando que “a existência dos (…) anjos, é uma verdade de fé”, ensina que alguns destes anjos caíram. São os que comumente chamamos de demônios. Eles “foram por Deus criados bons em natureza, mas se tornaram maus por sua própria iniciativa”, segundo uma lição do IV Concílio de Latrão.


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O Catecismo também destaca que a Escritura por diversas vezes “atesta a influência nefasta” do diabo, que tentou o próprio Senhor quando ele jejuava no deserto (cf. Mt 4, 1-11).
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Ao se falar sobre estas coisas, não se pretende fazer do diabo o centro da pregação cristã. Deseja-se, outrossim, instruir os fiéis sobre o perigo de se manter indefeso ou indiferente aos assaltos do maligno. São João Crisóstomo declarava, aos fiéis de Antioquia: “Não é para mim nenhum prazer falar-vos do diabo, mas a doutrina que este tema me sugere será muito útil para vós”.
. A importância deste tema está relacionada ao próprio fundamento espiritual de nossa fé, posto que, como já dizia o Papa Francisco, antes de ser eleito Pontífice, talvez o maior sucesso do demônio “tenha sido nos fazer acreditar que ele não existe, que tudo se arranja em um plano puramente humano” 01.

A Igreja não pode, em nome do bom-mocismo, calar estas verdades de fé, tão importantes para os nossos tempos, sob a alegação de que causariam medo entre as pessoas. De fato, nem todo temor é mau. O medo de perder a Deus e, consequentemente, a nossa alma é, por assim dizer, um “temor sadio”, que deve não só ser pregado pelos sacerdotes, mas cultivado por todos os fiéis. Uma sentença atribuída a São João Crisóstomo diz que “devemos nos afligir durante toda a nossa vida por causa do pecado”. O cristão deve criar em seu coração um verdadeiro medo de ofender a Deus, fazendo seu o lema do jovem São Domingos Sávio: “Antes morrer do que pecar”.

Por: Equipe Christo Nihil Praeponere

Fonte: Site do Padre Paulo Ricardo

Malícia do pecado mortal

31, julho, 2013 3 comentários


Por Santo Afonso Maria de Ligório

Tetendit enim adversus Deus manum suam, et contra omnipotentem roboratus est — «Estendeu a sua mão contra Deus, e se fez forte contra o Todo-Poderoso» (Jó 15, 25).
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Santo Afonso Maria de Ligório

Para nos induzir ao pecado, o demônio nos deixa ver o pecado somente à metade, mostrando-nos o deleite que nos traz e não o mal que encerra. Consideremos, porém, que esta malícia, pela injúria que faz a Deus, é tão grande que, se todos os homens e anjos se oferecessem a morrerem ou  mesmo a aniquilarem-se, não poderiam satisfazer por um só pecado. Um verme da terra revolta-se contra a Majestade infinita. Ah, Senhor! pelo amor de Jesus Cristo, iluminai-me para compreender a malícia do pecado.

I. Que faz aquele que comete pecado mortal?
Injúria a Deus. Segundo Santo Tomás, a malícia de uma injúria mede-se pela pessoa que a recebe e pela que a faz. A injúria feita a um arrieiro é um mal; feita a um nobre, é um mal maior; feita a um monarca, muito maior ainda.
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Quem é Deus? É o Rei dos reis, o Senhor dos senhores: Dominus dominantium est et rex regnum (Apoc 17, 14). Deus é a Majestade infinita; perante Ele são menos que um grão de areia todos os príncipes da terra, todos os Santos e todos os Anjos do céu: Quasi stillae situlae, pulvis exiguus (Is 40, 15).
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O Profeta ainda acrescenta que diante da grandeza de Deus, todas as criaturas são de tal modo pequenas, que é como se não existissem: Omnes gentes quasi non sint, sic sunt coram eo (Is 40, 17). Eis aí o que é Deus.
E que é o homem? Saccus stercorum, cibus vermium  «Saco de esterco, pasto de vermes», responde São Bernardo. O homem é um vil montículo de corrupção, pasto dos vermes, que em breve o hão de devorar.
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O homem, continua o santo Doutor, é um verme miserável que nada pode, um pobre nu que nada tem. — E é este verme miserável que se atreve a injuriar a Deus; é este vilíssimo grão de pó que não hesita em excitar a cólera terrível da Majestade divina: Tam teribilem maiestatem audet vilis pulvisculus irritare!
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Tem, pois, razão o Doutor Angélico em dizer que o pecado do homem contém de algum modo malícia infinita — Peccatum habet quamdam infinitatem maliliae, ex infinitate divinae maiestatis (Suma Teológica, III, q.2, c.2, ad.2).
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Santo Agostinho chama o pecado, de um modo absoluto, um mal infinito: infinitum malum. — D’onde se segue que todos os homens e todos os anjos não poderiam satisfazer por um só pecado, ainda que à morte e ao aniquilamento se oferecessem.
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Deus castiga o pecado mortal com o grande suplício do inferno; mas, qualquer que seja o castigo, todos os teólogos são unânimes em dizer que fica abaixo do que o pecado merece: citra condignum. E que pena poderia jamais castigar, como merece, o verme que se levanta contra seu Senhor?
II. Sendo tão grande e horrorosa a malícia de um pecado mortal, como é que ele é cometido tão frequentemente até por cristãos?
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«Isso é devido», responde São Leonardo de Porto Maurício, «a uma arte hábil do demônio, que nos mostra o pecado só pela metade; o que quer dizer que nos deixa ver o encanto e o deleite que nos traz o pecado e não a malícia e monstruosidade que ele encerra».
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Oh, se todos soubessem o que é o pecado mortal! Ao menos tu, meu irmão, a quem Deus concedeu a graça de meditar hoje na hediondez deste monstro, fica sempre longe, afastado dele. E se no passado tens ofendido o teu bom Deus, pede-lhe agora humildemente perdão.
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É verdade, meu Senhor, Vós me haveis distinguido, acima dos outros, com os vossos benefícios; e eu Vos fiz objeto preferido das minhas ofensas, injuriando-Vos mais que a qualquer conhecido meu.
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Ó Coração angustiado do meu Redentor, que sobre a cruz fostes tão aflito e atormentado à vista de meus pecados, concedei-me, pelos vossos merecimentos, um claro conhecimento e uma viva dor dos meus pecados. Ah, meu Jesus, vejo-me cheio de vícios, mas Vós sois todo-poderoso; podeis, portanto, encher-me de vosso santo amor.
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Tenho confiança em Vós, que sois a bondade, a misericórdia infinita. Ó meu Bem soberano, pesa-me de Vos ter ofendido. Oxalá tivesse morrido antes de Vos ofender e nunca Vos tivesse causado desgosto!
Ó Senhor, eu vivi esquecendo-me de Vós, mas Vós não Vos esquecestes de mim; prova-m’o a luz que nesta hora me comunicais. Visto me haverdes dado a luz, dai-me também força para Vos ser fiel.
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Prometo antes morrer mil vezes do que voltar-Vos novamente as costas; mas as minhas esperanças estão em vosso auxílio: In te, Domine, speravi, non confundar in aeternum (Sl 30, 1) — «Em Vós, Senho
r, esperei, não serei confundido». — A vós também, ó Maria, minha Soberana, me dirijo: In te, Domina, speravi, non confundar in aeternum — «Em Vós, ó Senhora, esperei; não serei nunca confundido». Ó minha Esperança, em vós confio que nunca tornarei a ser inimigo do vosso Filho. Rogai-lhe que me deixe antes morrer do que entregar-me a esta suprema desgraça. (*II 67.)

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LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Segundo: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 306-309.
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Extraído de: Mulher Católica.org

Sinal da Cruz: conheça sua história e a forma correta de fazê-lo

4, julho, 2013 11 comentários

Os primeiros registros da prática do sinal da cruz estão no escrito De corona militis de Tertuliano. O texto diz:

“Em cada caminhada e movimento, em cada entrada e saída, no vestir, no calçar, no banho, no estar à mesa, no acender as luzes, no deitar, no sentar, no lidar com qualquer ocupação, marcamos a testa com o sinal da cruz” (3,4. PL 2, 80A).

Tertuliano apresenta algo que já era costume na Igreja, por volta do início do século III.

No Livro de Ezequiel (Ez 9,4), o profeta tem uma visão de Deus falando ao anjo: “passa no meio da cidade, no meio de Jerusalém e marca com um Tau (sinal da cruz) na testa dos homens que gemem por tantas abominações que nela praticam”. O sinal, fundamentado da Bíblia, não demorou para ser reconhecido pela Igreja como sinal da cruz de Cristo.

O Sinal da Cruz tomou uma característica marcadamente militante na batalha dos verdadeiros católicos contra os defensores da doutrina monofisista (hereges que diziam que em Nosso Senhor Jesus Cristo havia uma só natureza).
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Os bons católicos, para atestar a fé de que em Jesus existem duas naturezas (divina e humana), passaram a fazer o sinal da cruz com dois dedos e ampliaram o sinal, para explicitar melhor a união de Nosso Senhor com as três Pessoas da Santíssima Trindade.
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A Simbologia do Sinal da Cruz
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O Sinal da Cruz passou a ser feito, então, da testa ao peito; do ombro esquerdo para o direito, com os dois dedos. Passados os anos, com a intenção de simbolizar a Santíssima Trindade, os cristãos traçavam o sinal da cruz com três dedos e dois recolhidos, lembrando as duas naturezas de Cristo. A riqueza deste sinal fez com que este se estendesse por toda a Idade Média.
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O Papa Inocêncio III (de 1534 a 1549) escreveu sobre o assunto e explicou como o sinal da cruz deveria ser feito pelos católicos:

“O sinal da cruz deve então ser feito com três dedos, pois ele assinala a invocação da Trindade; a respeito da qual disse o profeta: ‘quem pendurou com três dedos a massa da terra?’ (Isaías 40,12).

É assim que se desce do alto para baixo, e da direita se passa à esquerda, pois Cristo desceu do céu à terra e dos Judeus passou para os gentios.

Alguns [sacerdotes], porém, fazem o sinal da cruz da esquerda para a direita, pois devemos passar da miséria para a glória, assim como Cristo passou da morte para a vida e do inferno para o paraíso, para que eles assinalem a si mesmos e os outros uma só direção”.

Atualmente a legislação canônica relativa ao Sinal da Cruz está contida no Cerimonial dos Bispos. Na nota de nº 81, no número 108, a cerimônia da Santa Missa, diz: “Ao benzer-se, volta para si a palma da mão direita com todos os dedos juntos e estendidos, faz o sinal da cruz da fronte ao peito; do ombro esquerdo ao direito”.

A simbologia nesta forma de fazer o Sinal da Cruz está na representação das chagas de Cristo.  “Os cinco dedos estendidos representam as cinco chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, que são o sinal da cruz. Cristo, com a sua cruz, tira toda a condenação do homem (por isso, da esquerda para a direita).”
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Como termina o Sinal da Cruz?
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Sobre a maneira que se deve finalizar o sinal da cruz, o correto é fazê-lo com as mãos juntas ou postas (quando se diz “Amém”).
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O sinal da cruz é um sacramental. Os sacramentais são certas práticas de piedade com alguma analogia com os Sacramentos.
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Os sacramentais indicam a ação invisível de Deus e da sua graça em nossas almas e podem alcançar-nos o perdão das faltas veniais e o aumento da graça santificante, de conversão e de salvação, dependendo das disposições de fé e piedade de quem os pratica. Exemplos de sacramentais: alguma oração pública, o sinal da cruz, a água benta, o pão bento, o sal bento, esmola, etc.
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Com os sacramentais não só expiamos a pena temporal devida às nossas faltas, mas adquirimos méritos maiores e avivamos em nós a devoção e a piedade, que nos mantêm, por intercessão de Nossa Senhora, mais unidos a Nosso Senhor Jesus Cristo.
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Então, além de fazermos com frequência o Sinal da Cruz, é bom trazermos sempre junto a nós (por exemplo, ao pescoço) uma medalha benta, como instrumento da salvaguarda de nosso coração (para não cometermos pecados), mas também como proteção contra males físicos, como doenças ou acidentes.
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 Fonte:  Baseado em http://oanunciador.com/