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Textos com Etiquetas ‘providência divina’

A Criação em dois exemplos: a rosa e a orquídea. Surpreso? Você ficará depois de ler!

29, janeiro, 2017 Sem comentários

 

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Para meu gosto pessoal, a duas flores eu dou a primazia.


A primeira evidentemente é a rosa. Uma rosa perfeita e acabada é uma glória, uma beleza, uma maravilha, uma ordenação como não há igual.

Depois das rosas — é uma opinião ainda mais pessoal — elejo as orquídeas.

É um tipo de flor que viceja maravilhosamente no Brasil, mas, pelo que ouvi dizer, floresce ainda mais belamente na Colômbia.

É um gênero de beleza profundamente diferente da rosa.


A rosa traz consigo o esplendor da ordem. Suas pétalas postas em ordem obedecem a um raciocínio.

Nela não há nada de previsto, não é planificada. Mas dir-se-ia que um poeta a planificou.


Deus Nosso Senhor a planejou, a destinou.

Tudo nela é ordenado, estabelecido, arranjado. Ela exala o perfume que é conforme à sua forma de beleza — da ordem prevista, racional e explícita.

Ela é uma soberba explicitação do conceito de beleza.

Isto não se pode dizer da orquídea.


A orquídea é rara e singular.


Ela prega surpresas, suas pétalas se movem quase como num balé vegetal.

Movem-se em direções inimagináveis, que se compõem em torno da parte central e variam de flor para flor.

A parte central da orquídea é sempre de uma beleza magnífica e surpreendente.

Por exemplo, brancas na orla e depois de um vermelho e de um roxo aprofundado e que chega até a uma parte misteriosa dentro;

Onde se tem a impressão de que há um vermelhíssimo sublime que não se mostra, por uma espécie de recato.


É próprio às coisas verdadeiramente muito superiores a não se exibirem; enquanto as coisas charlatanescas se exibem.


Há formas de orquídeas incomparáveis, mas todas com a beleza do fantasioso, do inesperado, de uma alta distinção;

Que parece dizer a quem as vê: “Confessa que tu não me imaginavas e que eu sou muito superior a tudo quanto tu pensavas”.

Há um quê de “não me toques” na orquídea, que faz parte de outra família de beleza. 

Não é a beleza de desordem, mas dessas formas superiores de ordem, que o raciocínio não constrói e que só a fantasia sabe compor.

Isto está muito de acordo com o espírito das nações latino-americanas e que eu creio que são, sobretudo;

Na forma de espírito de duas nações psicologicamente muito parecidas: Brasil e Colômbia.

Às vezes, quando eu ouço contar de “colombiadas”, eu me lembro de “brasileiradas”.


O capricho, o inesperado, o entusiasmo; também, às vezes, o ressentimento, a vingança;

Conforme a ocasião a violência, mas seguida logo depois de uma reconciliação afetuosa.


Todo este vai-e-vem temperamental, eu vejo de comum entre o brasileiro e o colombiano.

E ali está a orquídea a marcar dessa maneira as peculiaridades do espírito dos povos que a Providência suscitou.

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Fonte: http://www.adf.org.br/

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Um Apelo do Alto: Nosso Senhor chama São Francisco à santidade! Veja como isso aconteceu (Parte II)

20, Maio, 2015 3 comentários

São Francisco é guiado pela Providência Divina, e, após a restauração da Capela, segue por novas veredas...

Continuação do post: Um Apelo do Alto: Nosso Senhor chama São Francisco à santidade!
Veja como isso aconteceu (Parte I)

De que maneira respondeu Francisco ao apelo do alto?

Com a prontidão entusiasta, com a coragem heroica e perseverante, que são traços característicos da sua fisionomia moral.

Apenas recuperado do assombro, Francisco voltou para casa. Reuniu um lote considerável de belos tecidos, saltou para cima do cavalo e dirigiu-se a Foligno.

Chegando lá, vendeu em pouco tempo a mercadoria e a montada; recolheu o dinheiro, e veio transbordante de alegria oferecê-lo ao Sacerdote responsável pela capela de São Damião.

O capelão pensou não dever aceitar uma oferenda tão magnífica, mas viu com bons olhos o projeto de restauro que o jovem lhe expôs; deu-lhe mesmo hospedagem pelo tempo que deveriam durar os trabalhos. E Francisco meteu mãos à obra.

Começaram logo a aparecer dificuldades.

Pedro Bernardone irritou-se com o filho. A contragosto já o vira renunciar à existência faustosa que tanto lisonjeava o orgulho paterno.

Indignava-se agora com o novo gênero de vida do filho. Queixava-se com dureza pelas somas de dinheiro que Francisco distribuíra liberalmente nos últimos meses.

Às palavras violentas sucederam os maus tratos. Pedro Bernardone chegou a raptar o filho, que o tinha ido visitar para tentar convencê-lo. Mas na sua ausência, o cativo foi libertado pela mãe.

Então, Pedro Bernardone convocou-o a comparecer em juízo perante as autoridades diocesanas.

A cena foi sublime na sua dramática rapidez. Em presença do Bispo, o Santo despojou-se das vestes, entregou-as ao pai e renunciou à sua parte da herança.

Até agora – gritou – chamavam-me de filho de Pedro Bernardone; daqui em diante poderei dizer com toda a verdade: Pai Nosso que estais no Céu!”.

Maravilhado com tanto heroísmo, o prelado abraçou-o e lançou a própria capa sobre os ombros do jovem. Antes de o despedir, ainda lhe entregou uma pobre túnica. Francisco tornou-se o pobre de Jesus Cristo.

O Santo teve ainda de suportar dolorosas humilhações.

Os conterrâneos, até mesmo os amigos, nada compreendiam do seu comportamento.

Começaram por chamá-lo de insensato; mas pouco a pouco as suas prevenções dissiparam-se e a ironia transformou-se em admiração.

Quando Francisco percorria as ruas de Assis, à procura de materiais ou de dinheiro para a sua querida Igreja, as ofertas afluíam. Os trabalhos de restauro avançaram rapidamente.

Por outro lado, as exigências da graça tornavam-se mais imperiosas. O padre de São Damião, que conhecia as comodidades da sua vida passada, esforçava-se por alimentar convenientemente
o hóspede.

Francisco quis renunciar a esta delicadeza; com uma tigela na mão, foi de porta em porta mendigar o alimento.

Quando se sentou para comer aqueles restos repugnantes, teve um sobressalto de aversão; mas mal os levou aos lábios, encontrou neles um sabor delicioso e se estremeceu de alegria.

Deus nunca deixa sem recompensa a generosidade dos seus servos.

Depois de São Damião, Francisco restaurou uma capela dedicada a São Pedro e a de Santa Maria da Porciúncula, tão famosa na história dos Frades Menores.

Que novos trabalhos deveria empreender em seguida?

Um texto do Evangelho esclareceu-o.

Ouviu ler na Missa a passagem de São Mateus em que Cristo envia os discípulos a pregar sem dinheiro, sem bordão, sem calçado. Aquelas palavras foram para ele um raio de luz.

Francisco deitou fora os sapatos, o bordão, o magro pecúlio que ainda possuía; colocou uma corda a servir de cinto e partiu para as aldeias da Úmbria a pregar a paz e o amor de Deus.

(Continua…)

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Fonte: retirado do livro “São Francisco de Assis” do Rev. Pe. Thomas de Saint-Laurent.

Deus é o nosso Divino Provedor – Confie a Ele todas as necessidades! (Parte III)

4, abril, 2015 3 comentários

Continuação do post:
Deus é o nosso Divino Provedor – Confie a Ele todas as necessidades! (Parte II)

A confiança, como acabamos de descrevê-la, não nos desobriga da prece.

Nas necessidades temporais, não basta esperar os socorros de Deus; faz-se mister
ainda pedir-Lhos.

Jesus Cristo deixou no Pai nosso o modelo perfeito da oração; aí faz-nos Ele pedir o “pão de
cada dia”.

A respeito desse dever da prece, não haverá frequente negligência nossa? Que imprudência e que loucura! Privamo-nos assim, por leviandade, da proteção de Deus, a única soberanamente eficaz.

Os Capuchinhos, diz a legenda, nunca morrem de fome, porque recitam sempre piedosamente o Pai nosso. Imitemo-los, e o Altíssimo não nos deixará à míngua do necessário.

Peçamos, pois, o pão quotidiano. É uma obrigação a nós imposta pela fé e pela caridade para com nós mesmos.

Poderemos, porém, elevar as nossas pretensões e pedir também a riqueza? Nada a isso se opõe, contanto que essa prece se inspire em motivos sobrenaturais e fiquemos bem submissos à vontade de Deus.

O Senhor não proíbe a expressão de nossos desejos; pelo contrário, quer-nos bem filiais para com Ele. Não esperemos, no entanto, que Ele se curve às nossas fantasias; a própria bondade divina a isso se opõe.

Deus sabe o que nos convém. Só nos concederá os bens da terra se eles puderem servir à nossa santificação.

Entreguemo-nos completamente à direção da Providência, e digamos a prece do Sábio:

Nem a riqueza nem a pobreza, eu Vos peço, Senhor. Dai-me somente o que preciso para viver, pois receio que, cumulado de bens, me sinta tentado a dizer: Quem é o Senhor? E impelido pela indigência, me veja forçado a roubar, ou a blasfemar contra o nome do meu Deus”.

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Fonte: retirado de “O Livro da Confiança” do Rev. Pe. Thomas de Saint-Laurent.

Deus é o nosso Divino Provedor – Confie a Ele todas as necessidades! (Parte II)

2, abril, 2015 Sem comentários

Um corvo traz pão à São Paulo, o Eremita.

Continuação do post:
Deus é o nosso Divino Provedor – Confie a Ele todas as necessidades! (Parte I)

Deus provê as nossas necessidades.

Não vos inquieteis”, diz o Senhor. Qual será o sentido exato desse conselho? Deveremos, para obedecer à direção do Mestre, negligenciar completamente os negócios temporais?

Não duvidamos de que a graça peça, às vezes, a certas almas, o sacrifício de uma pobreza estrita e de um total abandono à Providência. É notável, entretanto, a raridade dessas vocações. Os outros, comunidades religiosas ou indivíduos, possuem bens; devem geri-los prudentemente.

O Espírito Santo louva a mulher forte que soube governar bem sua casa. Ele no-la mostra, no Livro dos Provérbios, acordando bem cedo para distribuir aos criados a tarefa quotidiana e trabalhando também com suas próprias mãos.

Nada escapa à sua vigilância. Os seus nada têm a temer: acharão todos, graças à sua previdência, o necessário, o agradável e, até, certo luxo moderado. Seus filhos a proclamam bem-aventurada, e seu marido exalta-lhe as virtudes.

A Verdade não teria louvado tão calorosamente essa mulher, se ela não houvesse cumprido o seu dever.

Cumpre, pois, não se afligir; ocupando-se embora razoavelmente de seus afazeres, não se deixar dominar pela angústia de sombrias perspectivas de futuro, e contar, sem hesitações, com o socorro da Providência.

Nada de ilusões! Uma confiança assim pede grande força de alma. Temos que evitar um duplo escolho: a falta e a demasia.

Aquele que, por negligência, se desinteressa de suas obrigações e de seus negócios, não pode, sem tentar a Deus, esperar um auxílio excepcional.

Aquele que dá às preocupações materiais um primeiro lugar de suas cogitações, aquele que conta mais consigo do que com Deus, engana-se ainda mais crassamente; rouba assim ao Altíssimo o lugar que Lhe compete em nossa vida.

In médio stat virtus”: entre esses extremos encontra-se o dever.

Se nós nos tivermos ocupado prudentemente de nossos interesses, a aflição do futuro importará desconhecimento e menosprezo do poder e da bondade de Deus.

Nos longos anos que São Paulo, o Eremita, viveu no deserto, trazia-lhe um corvo, cada dia, meio pão. Ora, aconteceu que Santo Antão viesse visitar o ilustre solitário.

Conversaram longamente os dois santos, esquecidos em suas piedosas meditações da necessidade do alimento. Pensava neles, porém, a Providência: o corvo veio, como de costume, trazendo, porém, desta vez, um pão inteiro!

O Pai celeste criou todo o universo com uma só palavra; poderia ser-Lhe difícil socorrer seus filhos na hora da necessidade?

São Camilo de Lelis havia-se endividado para tratar dos doentes pobres. Os Religiosos se alarmavam. “Para que duvidar da Providência?” – tranquilizava-os o Santo.

“Será a Nosso Senhor dar-nos um pouco desses bens de que cumulou os judeus e os turcos, inimigos uns e outros de nossa fé?”. A confiança de Camilo não foi iludida; um mês depois, um dos seus protetores legava-lhe, ao morrer, soma considerável.

Afligir-se com o futuro é desconfiança que ofende a Deus e provoca a
sua cólera.

Quando os hebreus, fugindo do Egito, se viram perdidos nas areias do deserto, esqueceram-se dos milagres que Jeová havia feito em seu favor… Tiveram medo, murmuravam…

Deus nos poderá sustentar no deserto? Poderá dar pão ao seu povo?” Essas palavras irritaram o Senhor. Contra eles lançou o fogo do céu; sua cólera caiu sobre Israel, “porque não tinham tido fé em Deus e não tinham confiado no seu socorro”.

Nada de aflições inúteis: o Pai vela por nós.

Deus provê quem busca o Seu Reino

Procurai primeiramente o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado
por acréscimo”.

Foi assim que o Salvador concluiu o discurso sobre a Providência. Conclusão consoladora, que encerra uma promessa condicional; de nós depende o sermos por ela beneficiados.

O Senhor Se ocupará tanto mais dos nossos interesses quanto nós com os dEle nos preocuparmos.

Convém parar para meditarmos as palavras do Mestre.  Uma questão logo se nos depara: onde se acha esse Reino de Deus que devemos procurar antes de tudo mais?

Dentro de vós”, responde o Evangelho.

Procurar o Reino de Deus é, pois, levantar-Lhe um trono em nossa alma; é submetermo-nos inteiramente ao seu domínio soberano. Conservemos todas as nossas faculdade sob o cetro misericordioso do Altíssimo.

Lembre-se a nossa inteligência de sua constante presença, conforme-se a nossa vontade em tudo com a sua vontade adorável, voe o nosso coração para Ele com frequência, em atos de caridade ardente e sincera. Teremos, então, praticado essa “justiça” que, na linguagem da Escritura, significa a perfeição da vida interior.

Teremos seguido, então, à risca, o conselho do Mestre: teremos procurado o Reino de Deus.

E tudo o mais vos será dado por acréscimo”.

Há aí uma espécie de contrato bilateral: do nosso lado trabalhamos para a glória do Pai celeste; do seu lado o Pai Se compromete a prover às nossas necessidades.

Lançai, pois, todas as vossas preocupações no Coração Divino; cumpri o contrato que Ele vis propõe; Ele cumprirá a palavra dada: velará sobre vós e “vos sustentará”.

“Pensa em mim, diz o Salvador a Santa Catarina de Siena, e Eu pensarei em ti…” E, séculos mais tarde, no mosteiro de Paray, prometia a Santa Margarida, para aqueles que fossem particularmente devotos do Sagrado Coração, o êxito de suas empresas.

Feliz o cristão que se conforma bem com essa máxima do Evangelho! Ele procura Deus e Deus lhe zela os interesses com a sua onipotência: “que lhe poderá faltar?”.

Pratica as sólidas virtudes interiores, e evita assim a desordem: as faltas, os vícios que são as causas mais comuns dos fracassos e das ruínas.

(Continua…)

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Fonte: retirado de “O Livro da Confiança” do Rev. Pe. Thomas de Saint-Laurent.

Providência Divina e desgraças humanas

12, setembro, 2013 5 comentários

PERGUNTA

«Como se conciliam a Providência Divina e a existência de tanta desgraça no mundo? Meu  filho morreu em trágico desastre. Não terá Deus errado, ao permitir isso?»

 OUTRA PERGUNTA


«Dizia-me um amigo: ‘Não perca seu tempo, procurando saber quais são os pretensos desígnios da Providência; procure, antes, dar execução às suas providências. Não confie na moral do ‘Deus é grande’, pois sabemos que Ele é infinitamente grande, mas que isto não impede sejam infinitamente inflexíveis as leis que regem o universo’. Desejo, em consequência, saber como se relacionam a Providência e as leis fixas do universo».As questões acima ser referem à Providência Divina e da sua ação neste mundo, focalizando dois aspectos: “Deus e o sofrimento do homem” e “Deus e os meios de prover à felicidade humana”.Para não alongar a explicação, trataremos apenas de dois pontos:

1) a realidade da Providência Divina;


2) Providência Divina e felicidade humana.

 1. A realidade da Providência

A Providência é o atributo divino que preside ao governo de todas as coisas, fazendo que cada qual se encaminhe para o respectivo fim, ou seja, para Deus.

Deus é o Autor do mundo e do homem. Neste caso, tendo criado em vista de determinado fim, Ele acompanha as suas criaturas até a consecução desse fim.

Portanto, a solicitude do Senhor para com as criaturas se concilia com as tragédias e sofrimentos, bem como a existência do mal ou de pessoas más, no mundo.

2. Providência Divina e felicidade humana

Antes de tudo, é bom recordar, sumariamente, em que consiste o mal.

Distingue-se assim:

– o mal ou a carência na ordem física: o mal físico (doenças ou deficiência);

– o mal ou a carência na ordem moral: o mal moral. Consiste na falta de harmonia de determinado ato humano com o seu Fim Supremo ou com Deus. Todo ato oposto à Lei de Deus – portanto, o pecado – é um mal moral.

Deus outorgou, originariamente, a cada criatura o grau de perfeição correspondente à sua essência. O mal entrou no mundo por obra do homem, que por isso foi castigado.

O homem abusou da faculdade de livre arbítrio: em vez de a dirigir para Deus, Bem Supremo, o primeiro homem a dirigiu conscientemente para uma criatura.

Rompendo a harmonia da natureza humana com Deus, o primeiro pai fez que se rompesse a harmonia de sua alma (inteligência, vontade e sensibilidade) e dos elementos inferiores materiais existentes dentro do homem e em torno dele.

Daí a ignorância, os erros da inteligência, os transtornos psicológicos, as más tendências, bem como os desgastes de saúde, a dor e a morte que todo homem padece; daí também as calamidades naturais, como secas, enchentes, incêndios, etc.

De todo o mal (moral e físico), assim desencadeado, a Sabedoria Divina está isenta de culpa.  A raiz das desgraças é o mal uso da liberdade humana, faculdade que Deus outorgou ao homem para o dignificar, mas que este usou indevidamente.

Deus Nosso Senhor não quis entravar nem canalizar o uso dessa liberdade, pois isto seria contraditório e indigno do Todo-Poderoso. Deus devia ter, e de fato tinha, recursos suficientes para não permitir que o mal vencesse o bem, sem que fosse necessário cercear a liberdade humana.

Justamente tais recursos constituem o objetivo em torno do qual se exerce a Providência Divina…

Deus jamais haveria permitido à criatura humana desencadear o mal neste mundo, se Ele não tivesse a Bondade, a Sabedoria e o Poder necessários para fazer dos males a ocasião de bens, e bens ainda maiores!

Eis como Santo Agostinho exprime essa verdade:  «O Deus Todo-Poderoso…. sendo sumamente bom, de modo nenhum permitiria aparecesse algum mal em suas obras, se Ele não tivesse o poder e a bondade para fazer sair do próprio mal o bem» (Enchiridion XI).

Qual os tipos de bens que Deus Nosso Senhor pode retirar a partir dos males que as suas criaturas acarretam no mundo?
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a)Em primeiro lugar, observa-se que não são bens materiais (saúde, dinheiro, emprego, isenção de tribulações, etc.), porque tais valores são muito relativos; satisfazem apenas a uma parte do ser humano, ou seja, ao corpo.Na verdade, o homem só atinge a sua verdadeira grandeza mediante o desenvolvimento da sua personalidade, a qual é marcada principalmente pelos valores da alma.Aliás, não raro os bens temporais causam detrimento, pois embotam a alma, fazendo-lhe não perceber ou esquecer que há bens maiores: os bens da vida eterna.Em lugar de favorecer a formação da personalidade humana, que é essencialmente voltada para o infinito, tendem a fechá-la na mesquinhez e no amor próprio. É, antes, evitando, por amor de Deus, o afeto desregrado a si e às criaturas, que o homem se engrandece.b) Por conseguinte, os bens que a Providência Divina visa (se não exclusivamente, ao menos primariamente), são os bens da alma e da vida eterna, pois é somente mediante estes que a criatura humana se torna perfeita.Ou seja, se santifica. A concessão dos bens eternos vem a ser assim o critério primário, embora não exclusivo, para se aquilatar o acerto da Providência Divina.

Enquanto a Sabedoria de Deus vai oferecendo ao homem os meios de santificação ou de consecução da felicidade eterna, ela não lhe nega, em doses oportunas, os bens temporais (saúde, solução de crise financeira, boa fama…); o bom católico, porém, deve ter consciência de que esses valores temporais são consolações passageiras (devidas ao fato de sermos corpo e alma, e não unicamente alma). São consolações destinadas apenas a alentar o homem mortal na obtenção do que é Eterno.

Nosso Senhor Jesus Cristo propôs a seus discípulos não propriamente consolos e compensações temporais. Convidou-os a «abraçar a cruz e segui-Lo abnegadamente» (cf. Mt 16,24s); este é certamente um dos traços marcantes de qualquer ideal de vida cristã; a fidelidade a Deus não garante necessariamente felicidade terrestre.

As graças temporais não hão de faltar ao católico, mas ser-lhe-ão dadas em função de bens maiores. Em consequência, uma vida que, humanamente falando, seja pouco afagada por bens materiais, pode, não obstante, estar perfeitamente nos planos da Providência Divina.

É perfeitamente lícito uma pessoa desejar bens temporais (a riqueza, a compra de um imóvel, a obtenção de um emprego ou de um cargo, a cura de uma doença, a sobrevivência de esposo ou filho…), na medida em que corresponde a um progresso na vida e favoreça a salvação de sua alma ou pelo menos não constitua um entrave nesse sentido.Considerando-se sob esse aspecto, o discípulo de Nosso Senhor Jesus Cristo pode pedi-los ao Pai do céu. Mas não deve fazer da obtenção dos mesmos a “pedra de toque” para julgar a Providência Divina. Mal sabemos o que, na verdade, nos convém.Uma pessoa verdadeiramente piedosa deve ter presente que não é o centro do mundo, de modo que tudo deva acontecer de acordo com o que ela julga oportuno. O critério que há de nortear nossos juízos e desejos, é sempre o seguinte:«Será que, mediante a consecução de tal ou tal bem temporal, me tornarei homem mais perfeito, menos apegado a mim, com mais amor de Deus e desejo da vida eterna?».

É certamente este o critério que a Providência Divina aplica ao distribuir os seus bens, denegando por vezes o que nos parece vantajoso e permitindo o que nos causa repulsa momentânea.A situação do católico que nesta vida temporal julga tudo à luz da eternidade, pode muito bem ser ilustrada por duas imagens que o escritor Antonin Eymieu propõe:“A vida neste mundo é apenas um começo, não é o todo. É um meio, e não o fim. O plano da Providência não consiste em colocar o céu sobre a terra, mas em dar aos homens sobre a terra os meios de merecer o céu”.“Tal é o ponto de vista de Deus. Para compreender algo da Providência, é preciso ver o mundo nesta perspectiva. Não entenderemos coisa alguma se considerarmos essa grande questão apenas em seus aspectos laterais, em seus pormenores, pormenores que impedem a visão do conjunto, como uma árvore diante dos olhos de alguém pode encobrir a floresta.Muito menos nos havemos de deter sobre o mau aspecto da questão, ou seja, sobre o ponto de vista terrestre; a realidade apareceria então como um tapete visto às avessas. Se consideramos o mundo presente independentemente do mundo futuro, ele se torna incompreensível”.Portanto, quem considera a história deste mundo do ponto de vista meramente humano ou terrestre, é facilmente levado a julgá-la um absurdo, em que tudo parece frustrado e fracassado.

A eternidade, e não o tempo, eis o ponto de referência do modo de pensar e desejar do autêntico cristão.

Dessa forma, uma perda temporal, uma calamidade particular ou pública, pode nos aparecer como desastres que desconcertam. Não é assim, porém, que Deus os julga.

Ao contrário do que comumente se pensa, a experiência ensina que, em vista do egoísmo congênito do homem, a dor é a escola de engrandecimento da criatura. A Providência, por isto, não a dispensa (dado que Ela queira proceder ordenadamente: ou sem milagres).

Deus nem sempre recompensa a virtude com a longevidade, nem pune o pecado com a morte prematura ou trágica. A justa sanção se exerce primariamente no plano espiritual, que é o plano onde se situam os verdadeiros valores.

Deus não precisa necessariamente de tal ou tal instrumento humano para realizar seus desígnios. Ele pode permitir a morte aparentemente precoce de benemérito personagem sem que com isto o plano da Providência sofra o mínimo detrimento. Nosso Senhor é assaz poderoso para suprir, como de fato supre, por outra via. A responsabilidade do reino de Deus,  em última análise, é d’Ele!Quanto à existência, às vezes prolongada, dos homens maus neste mundo, S. Agostinho apresenta as seguintes considerações:

«Deus se serve dos homens maus, não atendendo à má intenção dos mesmos, mas à reta intenção do próprio Deus. Na verdade, assim como os maus fazem mau uso da natureza humana, ou seja, da obra boa de Deus, assim o Deus bom faz uso bom até mesmo das obras más dos homens iníquos, a fim de que de modo nenhum fiquem frustrados os desígnios do Todo-Poderoso.

Se Ele, bom como é, não tivesse o poder de fazer servir os maus à causa da justiça e da bondade, de modo nenhum permitiria que nascessem ou vivessem. Tais homens, Deus não os fez maus; Ele simplesmente lhes deu a natureza humana.

Criou a natureza de cada ser, mas não criou os pecados, que são algo de contrário à natureza. É verdade que em sua presciência Ele não podia ignorar que tais indivíduos haviam de se tornar maus, contudo, assim como sabia quais os males que eles haviam de cometer, sabia também quais os bens que desses males Ele havia de tirar» (serm. 214,3).

As leis da natureza são geralmente respeitadas e aproveitadas pela Providência Divina. Isto, porém, não quer dizer que sejam inflexíveis.  Deus as dobra ao seu poder, produzindo milagres segundo seus sábios desígnios. Os portentos, porém, supõem uma finalidade grande e importante a ser atingida.

 Baseado em excertos de http://www.pr.gonet.biz/

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