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Notável no ensinar, ilustre no expôr e ótimo na correção dos costumes (Parte III)

João, com o cognome de Crisóstomo, nasceu em Antioquia e era filho dos nobres Segundo e Antura.

O seu nascimento, ascendência, vida e a perseguição que padeceu são contados mais completamente na História Tripartida. Quando se dedicava ao estudo da filosofia, acabou por abandoná-lo para se entregar à leitura da Palavra de Deus.

Ordenado presbítero, tornou-se mais severo no zelo da castidade, em que era mais arrebatado que manso e, pela retidão da sua vida, onde se mostrava desapegado dos bens da terra, não se preocupando com o futuro. Os ignorantes achavam-no arrogante nas palavras.

Era notável no ensinar e ilustre no expor, ótimo na correção dos costumes.

No tempo dos augustos Arcádio e Honório, foi feito bispo de Constantinopla por Dâmaso, o chefe da Igreja romana. Então, quis corrigir de repente a vida dos clérigos e excitou o ódio de todos contra si; todos se afastavam dele, considerando-o furioso e diziam mal dele na frente de toda a gente.

Como ninguém o convidava para comer nem ele queria ser convidado, diziam que fazia isto porque comia de maneira torpe.

Outros afirmavam que fazia aquilo porque se servia de excelentes e delicados alimentos; na verdade, era por causa da sua abstinência e porque tanto o estômago como a cabeça lhe doíam frequentemente, evitando por isso banquetes às refeições.

Mas o povo gostava muito dele pelos sermões que fazia na igreja, menosprezando o que contra ele os seus adversários afirmavam. João começou a repreender alguns dos principais; por isso, acendeu-se unia inveja ainda maior contra ele.

Mas fez outra coisa que a todos impressionou muito. Eutrópio, ministro do Imperador, que também era cônsul, querendo prender uns quantos que se tinham refugiado em igrejas, diligenciou por que o Imperador fizesse uma lei que proibisse de se refugiarem nas igrejas e até permitisse prender quem já lá estivesse.

Mas, passados poucos dias, o próprio Eutrópio ofendeu o rei e logo se refugiou numa igreja. Ouvindo isto, o bispo encontrou-o escondido debaixo do altar e fez uma homilia, em que o censurou duramente.

Muitos sentiram-se ofendidos pelo fato de não só não ter tido misericórdia do infeliz homem, mas, além disso, por não se ter abstido de o censurar. Depois, o Imperador foi buscar Eutrópio e cortou-lhe a cabeça. Por motivos diversos censurava muitas pessoas, sendo por isso, odiado por muitos.

Protetor da Fé e de Constantinopla

Teófilo, porém, bispo de Alexandria, queria depô-lo e nomear um presbítero chamado Isidoro; por isso, procurava motivos para a deposição. Mas o povo defendia João e alimentava-se admiravelmente com a sua doutrina.

João também obrigava os sacerdotes a viver segundo as determinações eclesiásticas, dizendo que quem, na sua vida, se recusasse a observá-las, não era digno da honra do sacerdócio.

Ora ele não só governava a cidade de Constantinopla corajosa e diligentemente, mas também, com a autoridade imperial, orientava muitas províncias circunvizinhas, provendo-as de leis prudentes.

Tendo sabido que na Fenícia ainda se faziam sacrifícios aos ídolos, mandou para lá clérigos e monges para destruir todos os templos dos ídolos.

Naquele tempo, havia um certo Gânias, de ascendência céltica, mas de ideias bárbaras, muitíssimo levado pelos seus desejos tirânicos e depravado pela heresia ariana, que fora investido como chefe supremo dos exércitos.

Pediu ao Imperador que lhe desse uma das igrejas da cidade.

Ele prometeu-lha, pediu a João que lhe concedesse uma para, assim, refrear o tirano.

Mas João, muito fortalecido pela virtude e incendiado pelo zelo, disse:

— Imperador, não permitas isto nem dês as coisas santas aos cães. Nem temas este bárbaro; convoca-nos, a mim e a ele; depois, ouve em silêncio o que dissermos. Eu saberei refrear a sua língua de modo que não se atreva a fazer tal pedido.

Ouvindo isto, o Imperador rejubilou e chamou os dois noutro dia. Quando Gânias pediu uma igreja para si, João disse:

— As casas de Deus estão todas abertas e ninguém te proíbe de orar.

— Eu sou de outra seita — alegou ele — e exijo um templo para mim e os meus. Já prestei muitos serviços à República romana; por isso, não me pode ser recusado este pedido.

— Já recebeste muitas recompensas que ultrapassam as tuas batalhas: foste investido como chefe supremo dos exércitos e, até, agraciado com a toga consular.

Convém que penses bem no que antes eras e no que agora és; na tua antiga pobreza e na tua excelência de agora; nos trapos antigos e como agora te vestes e adornas. E porque, por tão poucos trabalhos, foste premiado com o máximo, procura honrar-te e não sejas ingrato!

Com estas palavras tapou-lhe a boca e obrigou-o a calar-se. Ele continuava a governar a cidade constantinopolitana, intrépida e infatigavelmente, e Gânias ambicionava o poder; por isso e porque, de dia, nada podia fazer, mandou uns bárbaros incendiar o palácio.

Assim, ficaria claramente demonstrado de que maneira São João guardava a cidade. Mas apareceu aos bárbaros um enormíssimo corpo de anjos armados que imediatamente os pôs em fuga.

Foram contar ao seu senhor que ficou muito admirado, porque bem sabia que tinha mandado o exército para outras cidades. Ordenou que fossem na noite seguinte; contudo, a visão dos anjos voltou a afugentá-los.

No dia seguinte foi ele próprio, viu o milagre e fugiu, pensando que os militares estavam escondidos de dia e guardavam a cidade de noite. Então, foi à Trácia, reuniu um grande exército e começou a devastar tudo; todos temiam a ferocidade destes bárbaros.

Por isso, o Imperador impôs ao santíssimo João a pesada incumbência da mediação. Esquecendo-se das inimizades avançou sorridente.

Gânias, reconhecendo com justeza a boa-fé do bispo e a confiança que nele depositava, fez uma longa caminhada ao seu encontro, pegou na mão direita dele, tocou os seus olhos e mandou que os seus filhos lhe beijassem os sagrados joelhos.

De fato, a virtude de João era tal que até obrigava os homens mais terríveis a humilhar-se e a temer.

Grande destruidor das Heresias

Por aquele tempo, surgiu a questão de saber se Deus tem corpo. Daí nasceram muitas disputa,lutas, com afirmações diferenciadas e, até, oposta. Havia uma grande quantidade de monges simples que, enganados, diziam que Deus se distingue por sua forma corpórea.

Ora, Teófilo, bispo de Alexandria, sabia o contrário; por isso, na sua igreja lutava contra os que afirmavam que Deus tem forma humana, e pregava que Deus é incorpóreo.

Quando os monges egípcios souberam, deixaram as suas moradas, dirigiram-se a Alexandria, provocaram uma revolta contra Teófilo e tentaram matá-lo. Como os temia, ao saber daquilo, disse-lhes:

— Olho para vós e vejo o rosto de Deus.

— Se estás a falar verdade — responderam eles — e se dizes que o rosto de Deus é como o nosso, anatematiza os livros de Orígenes que são contrários às nossas opiniões. Se não fizeres isso, sofrerás as consequências de quem é rebelde aos Imperadores e a Deus.

– Não vos irriteis comigo! Eu faço o que vós quiserdes.

E assim acalmou a fúria dos monges. Na verdade, os monges experimentados e santos não se deixaram arrastar nestas questões; mas os simples, levados pelo ardor da sua fé, levantaram-se contra tais irmãos que afirmavam o contrário e causaram a morte de muitos.

Enquanto estes fatos aconteciam no Egito, João florescia em Jerusalém pela sua doutrina e muitos consideravam-no admirável.

É verdade que, quando os arianos se desenvolveram muito e só tinham uma igreja fora da cidade, ao sábado e ao domingo, congregavam-se à noite no interior da cidade e, nos pórticos, cantavam hinos e antífonas; mas, ao nascer do dia, passavam pelo meio da cidade cujas portas atravessavam e acorriam à sua igreja.

Faziam isto para criticar e insultar os ortodoxos e frequentemente cantavam: “Onde estão os que dizem que três valem um?”.

João, porém, receando que os simples fossem levados por estes cânticos, estabeleceu que a multidão dos fiéis cantasse hinos de noite para, não só ofuscar a obra dos outros, mas também afirmar a profissão de fé dos fiéis; mandou fazer cruzes de prata que eram levadas com tocheiros também de prata.

Então, os arianos, inflamados pela inveja, agrediram-nos até à morte. Por isso, uma noite, atacaram à pedrada Brison, eunuco da Imperatriz, que fora encarregado por João de cantar os hinos; e houve mortos de um e de outro lado. Levado por estes fatos, o Imperador proibiu os arianos de cantar hinos publicamente.

Naquele tempo, chegou a Constantinopla o bispo de Gaba, Severiano, respeitado pelos nobres e muito querido do próprio Imperador e da Imperatriz que João recebeu de tão bom grado, que quando foi à Ásia, lhe entregou a sua igreja.

Só que ele traia-o, esforçando-se por se insinuar no povo. Mas o clérigo Serapião tratou de comunicar isso a João. Ora, aconteceu que Severiano ia passar e Serapião não se levantou; indignado, exclamou:

— Este clérigo Serapião tem de morrer ou Cristo não nasceu com natureza humana!

Quando João soube, regressou e expulsou-o da cidade, por blasfemo. A Imperatriz ficou muito desagradada; chamou-o, rogando a João que se reconciliasse com ele.

De modo nenhum consentiu, até ao momento em que ela pôs seu filho Teodósio ao colo de João, pedindo e suplicando que se reconciliasse com Severiano.

Na mesma altura, o bispo de Alexandria Teófilo, expulsou injustamente Dióscoro, um homem santíssimo, e Isidoro, de quem antes fora muito amigo. Foram para Constantinopla a fim de contar ao príncipe e a João o que lhes tinham feito.

João respeitava-os, mas não queria pôr-se do seu lado, sem conhecer a causa. Entretanto chegou a Teófilo o boato de que João se lhes associara e os ajudava. Teófilo, furioso, armava-se fortemente não só para vingar-se deles, mas também para depor João.

Ocultando a sua intenção, mandou informar os bispos de cada uma das cidades, que queria condenar os livros de Orígenes. E também enredou Epifânio, bispo de Chipre, homem muito santo e famoso, fazendo-se seu amigo para que igualmente condenasse os livros de Orígenes.

Epifânio, de tão santo,não percebeu as intrigas e armadilhas de Alexandrino. Chamou a Chipre os seus bispos e proibiu-lhes a leitura de Orígenes, pedindo também por carta a João que suspendesse a leitura desses livros e ratificasse essas ordens.

Mas João deu pouca importância ao caso, continuou a trabalhar na doutrina da Igreja, em que brilhava, não se apercebendo do que estavam a maquinar contra ele.

Por fim, Teófilo manifestou o ódio escondido e declarou publicamente que queria depor João. Logo os inimigos de João e muitos clérigos e nobres do palácio, achando que o tempo era oportuno, se esforçaram por que se fizesse um concílio em Constantinopla.

Depois, Epifânio foi a Constantinopla, levando consigo a condenação dos livros de Orígenes, mas declinou o convite de João por causa de Teófilo. Por respeito a Epifânio, alguns assinaram a condenação dos livros de Orígenes; muitos, porém, recusaram-se a fazê-lo. Um deles foi Teótimo, bispo da Citia, homem muito reto e famosíssimo, que respondeu assim:

– Epifânio, não insulto aquele que até agora descansou em paz nem me atrevo a considerar blasfemo, condenando o que os nossos passados não quiseram rejeitar. Aliás, não vejo que haja má doutrina nos seus livros.

Os que o atacam não se conhecem a si mesmos. Atanásio, o grande defensor do concílio de Niceia contra os arianos, chama este homem testemunha da fé e, equiparando os livros dele aos seus, diz: “Orígenes, homem admirável e muitíssimo trabalhador, dá-nos este testemunho acerca do Filho: que é co-eterno ao Pai.”

Mas João não estava indignado por Epifânio, contra as regras, ter feito uma ordenação na sua igreja, pois até lhe pedia que permanecesse consigo entre os bispos.

Denegrido por quem o invejava…

Mas ele respondeu que não queria ficar com ele nem orar, a menos que expulsasse Dióscoro e assinasse a condenação dos livros de Orígenes. Como João se recusou, Epifânio foi incitado contra João por quem o invejava.

A seguir, Epifânio condenou os livros de Orígenes, sentenciou Dióscoro e começou a denegrir João como seu defensor.

João mandou-lhe dizer: “Epifânio, agiste contra as regras. Primeiro, fizeste uma ordenação numa igreja da minha jurisdição; depois, por tua autoridade, celebraste nela os sagrados mistérios; a seguir, porque recusaste o meu convite; agora e de novo, porque presumes de ti.

Por isso, tem cuidado, não vá o povo sublevar-se e tu ficares em perigo!” Ao ouvir isto, Epifânio foi-se embora. Já quando regressava a Chipre, mandou um recado a João: “Espero que não morras bispo.”

E João mandou-lhe como resposta: “Espero que não chegues à tua pátria.” E assim aconteceu: Epifânio morreu pelo caminho e, passado pouco, João foi deposto foi deposto do bispado e acabou a vida no exílio.

Junto do sepulcro deste Epifânio, homem santíssimo, os demônios eram expulsos, pois tinha sido um homem de admirável generosidade com os pobres.

Um dia, distribuiu toda a riqueza da igreja, não ficando com nada para si; de súbito alguém lhe ofereceu um saco com muito dinheiro e foi-se embora. Nunca se soube de onde veio nem para onde fora.

Uns pobres quiseram enganar Epifânio para que lhes desse alguma coisa; por isso, um deles deitou-se de costas no chão e o ouro pôs-se a chorar sobre ele, a lamentar-se, em altos brados, de não ter com que o pudesse sepultar.

Chegou Epifânio, orou para que descansasse em paz, deu-lhe o necessário para a sepultura e, depois de ter consolado o homem, foi-se embora satisfeito.

Entretanto o homem abanava o companheiro e dizia: — Levanta-te, que hoje vamos comer bem à tua custa!

Depois de muito o abanar, verificou que estava morto; foi atrás de Epifânio, contou-lhe o que tinha acontecido e começou a pedir-lhe que o ressuscitasse.

Ele consolou-o com bondade, mas não quis ressuscitá-lo, para que não se enganem facilmente os ministros de Deus.

Quando Epifânio morreu, contaram a João que a Imperatriz Eudóxia tinha incitado Epifânio contra ele.

Inflamado pelo seu zelo, fez um sermão ao povo, em que criticava as mulheres em geral; mas todos o interpretaram como tendo sido pronunciado contra a augusta.

Quando ela soube, queixou-se ao Imperador, dizendo-lhe que uma ofensa à Imperatriz mais recaía sobre ele. Então, o Imperador ordenou a João que reunisse um concilio.

Por isso, Teófilo convocou a toda a pressa os bispos e todos os inimigos de João acorreram contentes, chamados pelo soberbo e ímpio. Depois, com todos os bispos presentes em Constantinopla, já não tratavam dos livros de Orígenes, mas levantavam-se abertamente contra João.

Mandaram enviados a convocar João. Procurou evitá-los, porque eram seus inimigos e proclamou que iria fazer um sínodo universal. Mas eles convocaram-no mais três vezes.

Como ele sempre lhes fugia e continuava a proclamar que ia fazer um sínodo, condenaram-no, embora não o tenham culpado de nada a não ser de desobediência às convocatórias.

Quando o povo soube, preparou-se para a rebelião e não deixava que o tirassem da igreja, exigindo que o assunto fosse levado a um concílio mais importante.

A ordem do imperador obrigava que o expulsassem rapidamente e o deportassem para o exílio. João, porém, receando que o povo realmente se revoltasse, entregou-se secretamente para ser levado para o exílio.

Mas a vontade de Deus era outra

Quando o povo soube, surgiu uma revolta tão imparável que até muitos dos seus inimigos se tornaram misericordiosos, afirmando que ele tinha sido caluniado — eles que pouco antes o queriam ver deposto.

Mas o Severiano, de quem atrás se falou, denegria João na igreja, dizendo: “Mesmo que não tenha nenhum crime, a sua soberba é razão suficiente para a sua deposição!”. Surgiu uma revolta imensa entre o povo contra o Imperador, os bispos e Eudóxia.

E pediram ao Imperador que chamasse João do exílio. Houve um grande terremoto na cidade e todos diziam que aquilo acontecera por causa da sua expulsão injusta.

Por isso, mandaram legados a João para que regressasse imediatamente e socorresse a cidade arruinada com as suas orações e acalmasse a revolta do povo. Depois destes foram outros e ainda mais outros para obrigá-lo a regressar o mais rápido possível.

Como ele não queria ir, voltaram a casa; então, todo o povo foi ao seu encontro com tochas e lâmpadas. Ele, porém, não queria residir na sede episcopal, dizendo que isso só se podia fazer por decreto sinodal e pela revogação da sentença por quem o condenara.

Mas todo o povo se animava por vê-lo na cadeira episcopal e ouvir as suas palavras de mestre. Por isso, o povo prevaleceu e obrigou-o a fazer um sermão e a voltar a sentar-se na sua cadeira.

Entretanto, Severiano fugiu de lá e foi para Hierápolis. Ora, tinha morrido o bispo daquela cidade e foi eleito um monge santíssimo, chamado Nilámon, que recusou muitas vezes; mas Severiano aconselhou-o a aceitar a eleição. Então ele prometeu, dizendo:

-Amanhã, se Deus quiser!

Por isso, no dia seguinte, foram à sua cela e pediram-lhe insistentemente que aceitasse. Ele disse-lhes: – Primeiro, oremos ao Senhor.

E, logo que começou a orar, chegou o fim da sua vida.

Entretanto, João continuava a pregar a doutrina.

Mas também nessa altura foi colocada uma estátua com um manto de prata em honra da Imperatriz Eudóxia, na praça junto da igreja de Santa Sofia, onde os militares e os nobres organizavam jogos públicos. Isso desagradava muito a João, pois considerava aquilo uma ofensa à Igreja.

Por isso, armou de novo a sua língua com a habitual confiança e boa-fé e – não fazendo o que seria mais conveniente: convencer os príncipes, pela palavra, a desistir daqueles jogos – atacou com toda a força da sua eloquência quem promovia tais atos.

Como a Imperatriz considerava isto uma injúria pessoal, esforçava-se por que se celebrasse novo sínodo contra ele. Quando soube, João pronunciou na Igreja aquela famosíssima homilia, cujo início é: “De novo, Herodíades entrou em delírio, e se perturbou, e dançou, e voltou a desejar a cabeça de João numa travessa!”

Quiseram assassiná-lo

Este fato ainda mais atiçou a ira de Eudoxia. Entretanto, alguém quis matar João; o povo surpreendeu o assassino e entregou-o para ser julgado, mas o prefeito tirou-lho para não ser morto.

Também um escravo de um presbítero se atirou a ele, tentando matá-lo; um criado agarrou o homicida, mas este matou-o e mais dois que estavam presentes. Houve um grande tumulto e ele assassinou vários dos muitos que acorreram.

A partir de então o povo guardava João, vigiando a sua casa de dia e de noite. Mas a Imperatriz conseguiu convencer os bispos a reunir-se em Constantinopla e os acusadores de João atacavam-no cada vez mais.

Ao aproximar-se a festa do Natal, o Imperador mandou dizer a João que, se não se justificasse dos crimes de que era acusado, cortaria relações com ele.

No entanto, os bispos não encontraram nada contra ele, a não ser que, depois da deposição, tinha ousado voltar a morar na residência episcopal, sem decreto do concílio; por isso, condenaram-no.

Como se aproximava a solenidade pascal, o Imperador mandou dizer que não poderia continuar na Igreja, pois já fora condenado por dois concílios.

Por isso, João estava desocupado e nunca descia à igreja.

Depois, o Imperador mandou expulsar João de Constantinopla e levá-lo para uma pequena cidade na fronteira do Império romano junto do Ponto, vizinho da terra dos bárbaros cruéis.

Mas o Senhor, que é clemente, não permitiu que aquele seu fidelíssimo atleta por lá morasse muito tempo. Quando o Papa Inocêncio soube, quis celebrar um concilio; por isso, escreveu ao clero de Constantinopla para que não nomeasse um sucessor de João.

Entretanto, cansado por tão longa viagem e atormentado com uma dor de cabeça intolerável, aquela santa alma soltou-se da carne em Comane, no dia catorze do mês de Setembro.

Quando morreu, caiu uma fortíssima saraivada sobre Constantinopla e arredores; todos diziam que isto aconteceu pela ira de Deus por João ter sido injustamente condenado.

Essas palavras foram corroboradas pela morte subsequente da Imperatriz, que faleceu quatro dias depois da queda do granizo.

Então, depois da morte deste doutor universal, os bispos ocidentais não quiseram, de modo nenhum, continuar em comunhão com os do Oriente, enquanto não pusessem o nome deste homem santíssimo entre os bispos, seus predecessores.

Teodósio, o filho cristianíssimo do referido Arcádio, que tinha o nome e a piedade do seu antepassado, mandou trasladar para a cidade real as sagradas relíquia deste doutor no mês de Janeiro.

O povo fidelíssimo foi ao seu encontro com lâmpadas e tochas. Teodósio venerou as suas relíquias e suplicou-lhe pelos seus pais, Arcádio e Eudóxia, entretanto já falecidos, para que lhes perdoasse, pois tinham agido sem saber.

Este Teodósio foi tão clemente que nunca condenou à morte quem o tivesse prejudicado; pelo contrário, dizia: “Quem me dera poder chamar os mortos novamente à vida!”.

O seu palácio mais parecia um mosteiro, cantava oração de laudes, de manhãzinha, e lia as Sagradas Escrituras. Sua esposa chamava-se Eudóxia, que compôs muitos poemas em versos heróicos; teve uma filha com o mesmo nome de Eudóxia, que deu como esposa a Valentiniano, a quem fez Imperador.

Todos estes fatos foram extraídos da História Tripartida.

São João Crisóstomo morreu por volta do ano do Senhor de e 400.

Fonte: Legenda Áurea – Tiago de Voragine.

 

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